“[...]Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupe. Estou tão só. Eu e meus rituais. O telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa.”
- Clarice Lispector.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Gonna be...
Eu já me esvaziei de você: roupas, cartas, cheiros, manias, manhãs, do teu ar, carro, boca, sexo, som, das tuas cores escuras. E eu pensei não ser tão forte, não conseguir, parar de pulsar, não rascunhar mais vida aqui, neste branco qualquer de folha, memória, história não terminada.
Eu já me esvaziei de você.
E não há nada oco, sentido, sem sentido, sem paz.
Só o ar de volta aos meus pulmões.
Eu já me esvaziei de você.
E não há nada oco, sentido, sem sentido, sem paz.
Só o ar de volta aos meus pulmões.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
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“O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu.”
- Caio Fernando Abreu.
- Caio Fernando Abreu.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Pessoas apaixonantes

São pelas pessoas apaixonantes que eu me apaixono.
Não pelo fato de ser bonita ou pelo fato de fazer com que eu sorria.
Mas pelo fato de transformar segundos monótonos em preciosos, de fazer com que cada momento vire saudade (mesmo tendo acabado de passar), de ser estranhamente encantadora e esperta, de ter um olhar que te paralisa por minutos mesmo que não olhe fixamente, de ter uma risada contagiante e uma graciosidade sem fim.
E é aí que eu passo a correr perigo, por ser apaixonante demais. Pelo fato de querer sempre estar perto, de querer saber sempre como está e de querer dizer o quão especial é/vem se tornando.
E com o perigo, vem o medo.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
O Pequeno Principe

Pequeno Príncipe: - Eu não minto!
Raposa: - Então não é humano.
- Mas se vc me cativa, nao serei como as outras raposas e vc nao será como os outros garotos, pois serei unico para você e serás unico no mundo pra mim
- Se você viesse a qualquer momento, eu nunca saberia quando preparar meu coração
- Eu finalmente entendi tudo. Ela não era mais como todas as raposas do mundo, eu a cativei e agora ela era única, pelo menos pra mim.
Antoine de Saint-Exupéry
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Halo

"Uma das palavras mais frustrantes da linguagem humana, até onde sei, é amor. Tanto significado atribuído a essa única palavrinha... As pessoas falam nela livremente e a todo tempo, usando-a para descrever seu apego a bens materiais, bichos de estimação, destinos de férias e comidas preferidas. Às vezes, numa mesma frase, empregam essa palavra também para a pessoa que consideram mais importante em suas vidas. Isso não é absurdo? Não deveria haver outro termo para descrever uma emoção tão profunda? Os humanos são muito preocupados com o amor. Todos estão sempre desesperados para formar um vínculo com uma pessoa a quem possam se referir como sua "alma gêmea". De acordo com o que li na literatura, parecia-me que estar apaixonado significava ser o mundo inteiro da pessoa amada. O resto do Universo era insignificante comparados aos amantes. Quando estavam separados, cada um entrava em estado melancólico, e apenas quando se reuniam seus corações tornavam a bater. Só estando juntos poderiam realmente ver as cores do mundo. Uma vez separados, aquela cor sumia, deixando tudo cinzento e nebuloso. Eu ficava na cama me perguntando sobre a intensidade dessa emoção que era tão irracional e tão irrefutavelmente humana. E se a fisionomia de uma pessoa fosse tão sagrada para você a ponto de se increver permanentemente em sua memória? E se o cheiro e o toque dela tivessem mais valor do que sua própria vida? [...]
[...] mas eu achava espantoso como os humanos podiam permitir que outra pessoa se apoderasse de seu coração e sua mente. Era irônico como o amor podia despertá-los para os milagres do Universo e, ao mesmo tempo, fazer com que toda a sua atenção se voltasse de um para o outro."
[...] mas eu achava espantoso como os humanos podiam permitir que outra pessoa se apoderasse de seu coração e sua mente. Era irônico como o amor podia despertá-los para os milagres do Universo e, ao mesmo tempo, fazer com que toda a sua atenção se voltasse de um para o outro."
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